27 de julho de 2006

O EXÍLIO
"A pianista Maria João Pires abandonou o Projecto Educativo de Belgais, que desenvolveu no concelho de Castelo Branco, e decidiu ir viver para o Brasil, onde já pediu a autorização de residência." in Público

Esta partida para o exílio de uma das nossas maiores pianistas é sintomática do desafecto nacional pela iniciativa e pelo talento. Se olharmos a história vemos que os melhores foram sempre ou quase obrigados a partir para terras onde pudessem respirar. Existir, sem que a mesquinhez nacional os puxasse constantemente para baixo. Portugal é, de facto, como o deus mitológico que comia os seus filhos à nascença. Não nos amamos. Não queremos ver a excelência, muito menos distingui-la publicamente.
Maria João vai para a terra da energia do Olodum, das baianas que nos destroem o palato com os seus acarajés e para os domingos eternamente em festa, de caruru em caruru.
Os meus amigos bahianos é que têm sorte. E, aqui para nós, trocar Castelo Branco por Salvador da Bahia, não é uma troca, é um prémio.
Pena que ,não tarda nada, descubra que a saudade se instalou clandestina no quarto da empregada. Afinal foram os portugueses que inventaram a palavra. Percebe-se como.

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